
Alê era uma criança feliz. Isso mesmo ele era, no passado. Voltando da escola em uma tarde de terça chuvosa ele encontrou uma feiticeira na rua. Que lhe pediu dinheiro para comprar pão, Alê sempre foi uma pessoa bondosa e preocupada com os outros entregou o dinheiro para a mulher, lhe deu até mais do que ela havia pedido. A feiticeira ficou extremamente feliz e lhe jogou um feitiço. Disse que na manhã seguinte ele iria acordar e ter uma surpresa...
No dia seguinte ele acordou e não conseguiu mais escutar as pessoas. Ele deu bom-dia aos pais que não responderam, pensou que eles haviam acordado de mau humor. Quando conversou com seus coleguinhas de sala, perguntou como eles estavam, mas ninguém respondeu. Levou bronca de professora, ele não a escutou chamando seu nome na chamada.
Alê ficou encucado, as pessoas pareciam lhe ignorar, pareciam não perceber que ele estava falando. Era como se não o escutassem. Foi então que percebeu, foi então que ele se escutou. E notou que também não entedia uma palavra do que as pessoas lhe diziam. Ele e o resto do mundo haviam acordado falando línguas diferentes.
Enquanto dormia algo em seu íntimo mudou profundamente que o fez acordar falando uma língua totalmente desconhecida da maioria das pessoas. E isso lhe causou uma angústia tremenda, ele não tinha como se comunicar. Não conseguia passar para o mundo quais eram as suas vontades e preocupações. Não tinha com quem dividir suas alegrais e tristezas.
Com um tempo ele novamente acostumou seus ouvidos aquela língua que antes lhe era tão familiar, mas nunca mais ouviu da mesma forma, agora seus ouvidos já conheciam uma nova forma de escutar. E não tinha como fugir disso. Ele só esperava encontrar alguém que falasse a mesma língua que ele. Alguém que compreendesse essa nova maneira de se expressar e pensar.
Com um tempo ele novamente acostumou seus ouvidos aquela língua que antes lhe era tão familiar, mas nunca mais ouviu da mesma forma, agora seus ouvidos já conheciam uma nova forma de escutar. E não tinha como fugir disso. Ele só esperava encontrar alguém que falasse a mesma língua que ele. Alguém que compreendesse essa nova maneira de se expressar e pensar.
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